quarta-feira, 16 de julho de 2008

I Seminário Estadual de Jovens Pelo Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes

O Coletivo Mulher Vida promoveu nos dias 7,8 3 9 de junho o I Seminário Estadual de Jovens Pelo Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, em Maria Farinha,Paulista – PE, envolveu jovens de aproximadamente 75 municípios de Pernambuco, em que a UNEGRO - União de Negros pela Iguadade / Coordenação Petrolina esteve no evento, discutindo / propondo novos olhares acerca dessa problemática tão gritante na nossa sociedade.

Violência sexual é todo abuso de poder no qual a criança e ou adolescente é usado para gratificação sexual de um adulto ou adolescente mais velho, sendo induzida/o ou forçada/o a práticas sexuais, com ou sem violência física.

Pode acontecer entre membros de uma família (intrafamiliar), mas é uma conduta proibida de forma expressa pelos costumes sociais, o tabu do incesto e as leis; e também quando o abuso é cometido por pessoas fora do relacionamento familiar (extrafamiliar), podendo ser conhecidos ou desconhecidos, muitas vezes, colocando a culpa na vitima pela “sedução”.

A violência sexual divide-se em:

Abuso sexual -> a criança ou adolescente é usado gratificação sexual de outra pessoa adulta, nenhuma das partes envolvidas almeja lucros financeiros e ou materiais.

Exploração sexual -> é a inserção de crianças e adolescentes no mercado do sexo, diferenciando-se entre prostituição, turismo sexual, pornografia e tráfico. E apesar de acontecer fora do ambiente doméstico, em muitos casos, é estimulada ou omitida por pais, mães e responsáveis.

A violência sexual pode perdurar durante anos e, dificilmente, é interrompida sem a interferência de atores externos à família. Crianças e adolescentes, vítimas de abuso sexual, têm grande vulnerabilidade a serem vitimas de exploração sexual, sobretudo em famílias de baixa renda, o que também causa grande trauma às suas vitimas, influenciando seu desenvolvimento como um todo; estima-se que cerca de 11% dos casos de abuso sexual sejam com crianças com menos de um ano de idade.

É válido lembrar que 90% daqueles que cometem violência sexual não são doentes mentais (pedófilos); são pessoas comuns, mas precisam de apoio psicológico porque desenvolveram um comportamento condicionado, mas têm total clareza de seus atos.

É preciso coragem para buscar apoio de outras pessoas e instituições, para lidar com situações de violência sexual e toda a sociedade tem o papel de defesa e de proteção de crianças e adolescentes. Contudo, alguns espaços sociais são prioritários nessa função, me refiro à família, à comunidade, às escolas, às unidades de saúde e às organizações.

Porém, é comum as instituições e a população terem medo ou resistência de realizar a denúncia. Mesmo podendo recorrer e denúncia anônima, existe uma estimativa que, no Brasil, apenas 5% dos casos de violência contra crianças e adolescentes são denunciados.
A violência sexual de crianças e adolescentes é um ato de covardia e precisa ser combatida. Os Conselhos Tutelares e a Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente estão prontos para receber as denúncias e tomar as providências necessárias para combater este tipo de violência.


Maiores informações de Sites de Pesquisa e/ou Denúncia:


COLETIVO MULHER VIDA
site: www.coletivomulhervida.org.br

DISQUE DENÚNCIA

147 0800 281-0161

CONSELHO ESTADUAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE PERNAMBUCO
e-mail: cedca2@hotmail.com, gorettimartins@wol.com.br

Comitê Nacional de Vítimas da Violência
http://www.convive.org.br/

Associação Brasileira de Magistrados e Promotores de Justiça da Infância e da Juventude
http://www.abmp.org.br/

Campanha Nacional de Combate à Pedofilia na Internet
http://www.censura.com.br/


Fonte: Prevenção à violência doméstica contra crianças e adolescentes.

domingo, 15 de junho de 2008

Resistência Negra na Bahia




Como explicar a sedução da fotografia? Por que ela tem o estranho poder de nos transportar para outros lugares e tempos? É a fotografia um retrato da realidade ou o recorte da mesma pelo olhar do fotógrafo? Quais os sentimentos e verdades impressas em uma imagem? Qual a sua força quando se trata de dar visibilidade a aspectos da vida cultural de uma época ou de uma sociedade?



Por: Alberto Lima*





Essas e outras questões nos vêm à mente quando nos debruçamos sobre este trabalho etno-fotográfico sobre a comunidade negra soteropolitana. O fato de sermos partícipes e de nos identificarmos com essa comunidade e cultura muitas vezes não nos permitem um olhar mais distanciado, um olhar que afronta, confronta e dialoga preto. Pensamos que somos todos negros, culturalmente negros e automaticamente todos ao nosso redor compreendem e vivenciam as mesmas experiências. Inverdades. Somos parte de uma elite, mas não percebemos como os aparelhos de mídia nos negam, mesmo fazendo o que manda a lei. A lei não é criteriosa e não dimensiona tempo nem forma de apresentação do nosso povo na mídia. O sistema racista sabe manipular isso e nos coloca de costas, desfocados ou de forma que transmita exatamente o que eles sempre quiseram que pensassem de nós: mau-caráter, desinteligentes, sem importância, midiaticamente secundários. Estamos na mídia só legitimando "o paraíso racial que é o Brasil".

A fotografia tradicionalmente tem sido interpretada como uma técnica de captura da realidade. Desse ponto de vista, uma foto seria como um lapso do tempo congelado, sobre um suporte físico qualquer. Não gostaria que as minhas fotografias fossem somente obra de arte e sim grafias, sensações, sentimentos e pensamentos negro, étnico de poder e saberes para tranformar miséria em equidade.

Para outros olhares, nossas imagens podem parecer meros retratos, mas para o cidadão afro descendente o projeto Resistência Negra na Bahia, deve ser instrumento, um rito diário, uma ferramenta da cultura material e imaterial para transformação da realidade das negras necessidades da população afro-soteropolitana.

Resistência Negra na Bahia, é uma exposição para a reflexão sobre o papel do negro na sociedade, como nós estamos na mídia e influenciar olhares, textos, postura política e social, uma vigília para futuras intervenções nas politicas culturais e nos aparelhos de mídia.
Quando diante de fotografias de um povo bonito, muito além do que o militante mais orgânico pode dimensionar como marca de sua referência de beleza ou expressão artística, é que podemos imaginar onde estamos e o que somos.

Agradeço a todos que me emprestaram suas imagens, para este trabalho, doarei a quem se fizer presente levando um CD e retirarei da exposição as imagens dos que não desejarem estar nesta mídia. Convido todas e todos a participarem da construção deste trabalho contribuindo com críticas, sugestões e textos para a publicação final.






* Alberto Lima -


Contato:




Fone: (71) 9959-3975


** Imagens do povo negro de Salvador

Mostra com 5.000 imagens da cultura e povo negro de Salvador. A exposição faz parte do Projeto Resistência Negra na Bahia, de Alberto Lima. O lançamento, no dia 16 de junho, às 19 horas, no Centro Cultural da Câmara Municipal (Praça Municipal), terá palestras da Makota Valdina, Dr. Samuel Vida e Dr. Almiro Sena.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Memorial da Cultura Negra está abandonado em Alagoas

Museu foi inaugurado há apenas seis meses.
Responsáveis por Parque do Quilombo dos Palmares culpam burocracia.
Um Memorial da Cultura Negra, em Alagoas, já está abandonado apenas seis meses depois de ser inaugurado com festa e muitas promessas. Os responsáveis pelo Parque do Quilombo dos Palmares culpam a burocracia.

Em Serra da Barriga, a 80 quilômetros de Maceió, R$ 2 milhões foram investidos para criar no local o primeiro parque temático da cultura afro nas américas. O local onde ficava o núcleo do quilombo dos Palmares, foco de resistência contra a escravidão no Brasil colônia, já é ponto de peregrinação no mês de novembro, durante as comemorações da Consciência Negra.

Seis meses depois da inauguração, o memorial passa a maior parte do tempo vazio. Turistas raramente aparecem, e não é por acaso. Atá agora, nada do que foi planejado para manter uma visitação constante na Serra da Barriga começou a funcionar.

Restaurante, pavilhão de exposições, espaço para apresentações de dança e capoeira - tudo parado. Os equipamentos de som que dariam informações sobre a cultura afro em quatro idiomas já estão quebrados.

Esta semana, a Fundação Cultural Palmares, responsável pelo parque, regulamentou o funcionamento do memorial e criou um comitê para a administração. O presidente da fundação atribuiu a demora aos procedimentos exigidos pela lei.

"Nós temos que ter, primeiro, parecer técnico, depois, parecer da procuradoria jurídica. Posteriormente fazer a licitação pública. Posso assegurar, com absoluta certeza, que a partir do dia 1º de junho nós estaremos com o parque em plena atividade", disse Zulu Araújo, presidente da fundação.